92 99407-3840

PF prende 4 policiais civis um dia depois de secretário ser substituído no RJ

Quatro policiais civis do Rio de Janeiro foram presos na manhã desta quinta (19) por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho. A Operação Drake, da Polícia Federal, foi desencadeada um dia depois do governador Cláudio Castro (PL-RJ) trocar o comando da corporação após apenas 22 dias.

As investigações apontam que os quatro agentes teriam auxiliado a facção criminosa na venda de 16 toneladas de maconha e escoltado a carga até uma favela dominada por traficantes. Um advogado supostamente ligado ao grupo também foi preso. Os mandados foram expedidos pelo Ministério Público do RJ.

Ajude o Portal Folha da Floresta

Os cinco mandados de prisão foram emitidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Resende, e os agentes foram detidos em endereços na capital fluminense e em Saquarema, incluindo a Cidade da Polícia, onde a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) está localizada.

Os policiais civis envolvidos na operação haviam deixado a DRFC em setembro, quando houve uma mudança na chefia da delegacia, e foram alocados em diferentes unidades.

De acordo com as autoridades, em agosto deste ano, duas viaturas da DRFC abordaram um caminhão na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, o qual já estava sob vigilância da PF e transportava 16 toneladas de maconha.

“Após escoltarem o caminhão até a Cidade da Polícia Civil, os policiais civis negociaram, por meio de um advogado, a liberação da carga entorpecente e a soltura do motorista, mediante o pagamento de propina”, afirmou a PF em comunicado.

A carga de maconha foi descarregada pelos criminosos após ser escoltada até os acessos de Manguinhos por três viaturas ostensivas da DRFC.

Alem dessa operação, o governo do Rio de Janeiro também viu mudanças na Secretaria de Polícia Civil, com a nomeação do delegado Marcus Vinícius Amim Fernandes como novo secretário da corporação, após a exoneração do delegado José Renato Torres do Nascimento.

Um projeto de lei alterou a Lei Orgânica da Polícia Civil e permitiu que delegados com menos de 15 anos no cargo assumam o comando da Secretaria. Amim tem 12 anos na função e foi nomeado por Castro.

As mudanças geraram críticas de entidades de classe que representam policiais civis e delegados, que alegam interferência política nas nomeações. “Infelizmente, a prática corriqueira de interferências políticas diretas na escolha do chefe da Polícia Civil pelos mais diversos agentes externos, se tornou tão banal e escancarada no Estado do Rio de Janeiro que não causa mais sequer surpresa ou perplexidade a sociedade carioca”, disseram sindicatos ligados a delegados e agentes da corporação.

Cláudio Castro não comentou a crítica das entidades.

Fonte: Gazeta do Povo

Compatilhe