92 99407-3840

Operação Usura: MPAM mira grupo que cobrava até 70% de juros ao mês de servidores públicos em Manaus

Uma organização criminosa suspeita de explorar financeiramente servidores públicos por meio de empréstimos com juros que chegavam a 70% ao mês passou a ser alvo da operação Usura, deflagrada nesta segunda-feira (27) pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil. A investigação aponta que o grupo utilizava ameaças e intimidação psicológica para garantir o pagamento das dívidas, transformando vítimas em alvo de um sofisticado esquema de agiotagem e extorsão.

A investigação teve início há cerca de quatro meses, após uma denúncia apresentada por uma servidora do Poder Judiciário. A partir das diligências, os promotores identificaram uma estrutura organizada que atuava principalmente contra servidores públicos, oferecendo empréstimos de alto valor e impondo cobranças consideradas abusivas pelas autoridades.

Ajude o Portal Folha da Floresta

Segundo o MPAM, os investigados concediam empréstimos de até R$ 200 mil por pessoa, aplicando juros que variavam entre 30% e 70% ao mês. Quando os pagamentos atrasavam, as cobranças eram feitas mediante forte pressão psicológica e práticas que configurariam extorsão, conforme apontam as investigações.

Ao todo, 24 pessoas físicas e jurídicas são investigadas. Nesta etapa da operação, a Justiça expediu dois mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão. Um dos investigados continua foragido após não ser localizado pelas equipes.

As buscas ocorreram em imóveis localizados nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores, em Manaus. Durante o cumprimento das ordens judiciais, outras duas pessoas foram presas em flagrante, sendo uma delas pelo crime de desacato.

Entre os investigados estão um policial militar e três advogados. Os escritórios dos profissionais também foram alvo de buscas por estarem diretamente ligados aos suspeitos, segundo o Ministério Público.

Durante a operação, as equipes apreenderam dois veículos, cerca de R$ 160 mil em dinheiro vivo, joias, documentos e aparelhos celulares. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias dos investigados para impedir eventual ocultação de patrimônio.

O coordenador do Gaeco e do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo), promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, informou que a investigação é conduzida pelo promotor André Epifânio, com apoio dos demais membros do grupo especializado. Segundo ele, os trabalhos continuam para identificar toda a estrutura da organização criminosa, localizar novas vítimas e responsabilizar todos os envolvidos.

Embora o Ministério Público já tenha identificado diversas vítimas — a maioria ligada ao Poder Judiciário —, ainda não foi possível calcular o prejuízo financeiro causado pelo esquema nem estabelecer há quanto tempo o grupo atuava. As investigações seguem sob sigilo para aprofundar a apuração e verificar a participação de outros integrantes na organização.

Fonte: MP-AM

Compatilhe