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FACÇÕES CRIMINOSAS: Libertar a população oprimida pelo crime organizado será o maior desafio do próximo presidente do Brasil

O avanço das facções criminosas pelo território brasileiro deixou de ser apenas um problema de segurança pública para se transformar em um dos maiores problemas institucionais do país. O maior desafio do próximo presidente e dos próximos governadores eleitos nessas eleições de 2026, será ‘libertar’ a população oprimida pelo Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com atuação cada vez mais sofisticada, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) ampliaram sua influência para além do tráfico de drogas, passando a exercer controle territorial, impor regras de convivência e estabelecer estruturas paralelas de poder em diversas comunidades urbanas e regiões de fronteira e até na política.

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Relatórios de órgãos de inteligência, investigações da Polícia Federal e estudos de especialistas em segurança pública apontam que as duas organizações possuem hoje ramificações em praticamente todos os estados brasileiros, além de conexões internacionais em países da América do Sul, Europa e África.

‘TERRORISMO NOS TERRITÓRIOS DOMINADOS’

Em muitas áreas dominadas pelas facções, moradores convivem com uma realidade que desafia a própria autoridade do Estado.

São locais onde criminosos determinam horários de funcionamento do comércio, controlam a circulação de pessoas, proíbem determinados comportamentos e chegam a decidir conflitos entre moradores.

JUSTIÇA BRUTAL E TORTURA

Uma das práticas mais temidas são os chamados “tribunais do crime”. Nesses julgamentos clandestinos, integrantes das facções analisam denúncias contra moradores acusados de desobedecer regras impostas pela organização criminosa.

As punições variam desde advertências e expulsões da comunidade até agressões violentas e execuções.

Especialistas classificam esse fenômeno como a criação de um “Estado paralelo”, onde grupos criminosos assumem funções que deveriam ser exercidas exclusivamente pelo poder público.

A FORTUNA DAS FACÇÕES

Além do domínio territorial, o poder econômico das facções impressiona. Estimativas de instituições de combate ao crime organizado indicam que PCC e Comando Vermelho movimentam juntos dezenas de bilhões de reais por ano.

Os recursos têm origem no tráfico nacional e internacional de drogas, contrabando de armas, lavagem de dinheiro, roubo de cargas, exploração ilegal de recursos naturais, extorsão e infiltração em empresas utilizadas para ocultar patrimônio, entre outras atividades ilícitas.

Embora os números variem conforme a metodologia utilizada, estudos apontam que a movimentação financeira dessas organizações pode superar R$ 100 bilhões anuais, valor superior ao orçamento de muitos estados brasileiros.

A força econômica permite às facções financiar armamentos de guerra, corromper agentes públicos, ampliar suas rotas internacionais e recrutar novos integrantes, fortalecendo ainda mais sua capacidade operacional.

EFEITO EUA

O debate ganhou novos contornos após o governo dos Estados Unidos anunciar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais.

A medida, anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi justificada pela atuação transnacional das facções e pela capacidade de gerar instabilidade social por meio da violência sistemática.

POSIÇÃO CONTROVERSA NO BRASIL

Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto na última sexta-feira, 29, o governo brasileiro reafirmou o compromisso com o combate ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e ao crime organizado, embora a própria nota oficial afirmasse que as facções fazem ‘terrorismo’ nos territórios onde atuam, contra as populações do local, mas evitou adotar oficialmente a classificação de terrorismo utilizada pelos Estados Unidos.

A posição gerou repercussão política porque, nos últimos anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou-se publicamente contra a equiparação das facções criminosas a grupos terroristas, defendendo que o enquadramento jurídico brasileiro diferencia organizações criminosas de movimentos terroristas.

Juristas destacam que, do ponto de vista legal, o Brasil possui uma legislação específica para terrorismo, cuja aplicação depende de requisitos definidos em lei. Por isso, a classificação adotada pelos Estados Unidos não produz automaticamente os mesmos efeitos dentro do ordenamento jurídico brasileiro.

Por outro lado, especialistas em segurança argumentam que a capacidade das facções de controlar territórios, impor medo à população, desafiar instituições públicas e manter operações internacionais complexas aproxima suas ações de características frequentemente associadas ao terrorismo moderno.

A divergência demonstra que a discussão está longe de ser apenas semântica. Trata-se de um debate que envolve soberania nacional, cooperação internacional, legislação criminal e, principalmente, a capacidade do Estado brasileiro de enfrentar organizações que, em algumas regiões, já exercem poder comparável ao de estruturas governamentais paralelas.

Enquanto a disputa política se intensifica, uma realidade permanece incontestável: PCC e Comando Vermelho continuam expandindo influência, acumulando recursos bilionários e impondo desafios cada vez maiores às forças de segurança e às instituições democráticas do país.

TERRITÓRIOS DOMINADOS NO AMAZONAS

Em Manaus e na maioria dos municípios do Amazonas, as facções dominam territórios inteiros, embora o estado sequer fale sobre o assunto.

Uma volta de carro pela periferia, centro de capital e em municípios como Parintins, Manacapuru, Itacoatiara, para citar alguns, é comum observar a digamos, ‘logomarca’ do CV em muros, estabelecimentos comerciais e até em prédios públicos. A audácia desafia as autoridades policiais e mostra o poder desses grupos de criminosos que fazem verdadeiro ‘terrorismo’ contra os moradores que são obrigados a ficarem calados.

Os moradores desses territórios controlados pelas facções, vivem com medo, pavor e não encontram apoio das instituições policiais que pouco ou nada fazem para acabar ou melhor, ‘libertar’ os comunitários do sanguinário domínio.

Fonte: Portal Flagrante

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