A sabatina do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta quarta-feira (12/11), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foi marcada por tensão e ataques diretos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar acusou Gonet de atuar em “conluio com o Supremo Tribunal Federal (STF)” e questionou se o chefe do Ministério Público Federal “não tem vergonha” de sua conduta.
A audiência teve como pauta a recondução de Gonet ao cargo por mais dois anos, após o término do atual mandato. Caso seja aprovado pela CCJ, o nome do procurador ainda precisa passar por votação no plenário do Senado.
Em tom exaltado, Flávio disparou contra o procurador:”O senhor não tem vergonha? Esse conluio, esse jogo combinado, essa farsa. E o senhor colaborando com a perseguição de pessoas inocentes. O senhor não se sente mal de fazer isso, não? Tudo isso que o senhor está fazendo em conluio com o Supremo é nulo em um Estado democrático de direito”.
O senador foi além e afirmou que os membros do Ministério Público deveriam “ter vergonha” da atuação de Gonet. Ele também resgatou a participação do procurador no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando assinou parecer que levou à inelegibilidade de Jair Bolsonaro, após o julgamento que apontou abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante o período eleitoral.
“Eu falei para vossa excelência na outra sabatina que Deus estava lhe dando uma oportunidade de desfazer todas as injustiças que o senhor fez enquanto estava no TSE. O senhor fez o contrário. O senhor perseguiu e entrou no jogo sujo de uma pessoa que, para mim, é doente”. afirmou, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, relator de processos contra o ex-presidente.
Desde que assumiu a Procuradoria-Geral da República, Gonet passou a conduzir as ações que investigam a tentativa de golpe de Estado atribuída a Jair Bolsonaro e aliados. O procurador foi o responsável pela denúncia que levou à condenação de militares e ex-assessores próximos ao ex-presidente.
Durante a sabatina, Flávio Bolsonaro também criticou Gonet por afirmar, em manifestações anteriores, que uma eventual anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro seria inconstitucional. Para o senador, a posição demonstra alinhamento político e “viés persecutório” contra o grupo ligado ao bolsonarismo.
O parlamentar encerrou a fala com novas provocações, questionando se o procurador-geral planeja “retirar do Congresso Nacional a prerrogativa de conduzir processos de impeachment contra ministros do STF”. A declaração foi interpretada como uma crítica direta ao Supremo e à crescente tensão entre parte do Legislativo e o Judiciário.
Apesar dos ataques, Gonet manteve postura serena e reiterou que sua atuação se baseia em critérios técnicos e respeito à Constituição. Ele afirmou que “não há criminalização da política” e que o Ministério Público “atua com independência e sem cores partidárias”.
Fonte: Veja