A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (6), a advogada Janai de Souza Almeida, durante uma operação em Manaus contra advogados suspeitos de atuar no núcleo jurídico do Comando Vermelho (CV) no Amazonas.
Segundo as investigações, Janai é esposa de um dos líderes da facção, atualmente preso em um presídio federal de segurança máxima.
De acordo com informações da Rede Amazônica junto à Polícia Federal (PF), Janai é casada com Denilson de Andrade Júnior, conhecido como “Pelado”.
Ele atuava como conselheiro permanente do grupo criminoso Revolucionários do Amazonas (RDA) e, após deixar a prisão, migrou para o Comando Vermelho, assumindo a liderança da facção no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste de Manaus.
Atualmente, Denilson está detido em um presídio federal de segurança máxima, onde cumpre pena por tráfico e associação criminosa.
O alvo é o “núcleo jurídico” da facção
A ação faz parte da Operação Xeque-Mate, deflagrada pela PF para impedir o repasse de ordens criminosas dentro e fora dos presídios.
A investigação apontou que advogados estariam utilizando o direito de visita profissional para levar mensagens, dinheiro e instruções de chefes presos a integrantes que continuam atuando nas ruas.
Além de Janai, foram presos outros três advogados suspeitos de integrar o grupo:
- Alisom Joffer Tavares Canto de Amorim
- Gerdeson Zueriel de Oliveira Menezes
- Ramyde Washington Abel Caldeira Doce Cardozo
Como atuava o grupo
De acordo com as investigações, os advogados exerciam diferentes funções dentro da estrutura criminosa. Entre as atividades apontadas estão:
Repassar ordens de chefes presos a integrantes que atuam no comércio de drogas;
Lavar dinheiro obtido com o tráfico;
Ajudar na logística de envio de drogas vindas da Colômbia;
Coordenar represálias e negociações entre criminosos de diferentes estados;
Servir de elo entre chefes presos e pontos de venda de drogas no Amazonas.
Para a Polícia Federal, essa rede de comunicação permitia que o Comando Vermelho mantivesse o controle das operações criminosas mesmo com seus principais líderes presos ou foragidos.
Ao todo, a operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em endereços residenciais e profissionais em Manaus.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos, documentos e computadores, que agora passam por perícia.
Os quatro advogados presos seriam ligados a Alan do Índio, considerado pela PF como o principal representante do Comando Vermelho no Amazonas e um dos 13 conselheiros nacionais da facção.
Alan foi alvo da Operação Xeque-Mate, deflagrada no dia 6 de outubro, e também é apontado como foragido da megaoperação no Rio de Janeiro que resultou em 121 mortos há cerca de dez dias.
Defesa e posicionamento da OAB-AM
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) informou que membros da Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais acompanharam o cumprimento dos mandados de prisão e busca.
Em nota, a entidade declarou que eventuais violações às prerrogativas serão apuradas e que as providências cabíveis serão tomadas, com comunicação à autoridade judicial responsável.
A OAB-AM reforçou ainda que permanece vigilante e presta toda a assistência necessária aos advogados, reafirmando o compromisso com a defesa da advocacia e com o Estado Democrático de Direito.
Fonte: Portal Norte