Doença causa inflamação no fígado e pode evoluir para quadros de cirrose e câncer
O Amazonas já confirmou 309 casos de hepatites virais somente em 2025, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). Até o dia 04 de julho, o estado somava 369 notificações suspeitas, das quais 218 eram do tipo B, 81 do tipo C, 7 do tipo D e 3 do tipo A. Ao todo, 31 mortes foram registradas neste ano, a maioria causada por hepatites B (14) e C (12).
Em 2024, Manaus teve 584 casos registrados de hepatites. Desse total, 52,74% corresponderam a casos de hepatite B, 41,27% de hepatite C, seguido por 4,63% de hepatite D, 1,20% de hepatite A e 0,17% tipo hepatite E. Este ano, já foram identificados 116 casos.
As hepatites virais são conhecidas como “doenças silenciosas”, pois muitas vezes não apresentam sintomas por longos períodos, podendo resultar em quadros graves envolvendo o fígado, órgão afetado pela doença, como cirrose e câncer. “A pessoa se sente bem, sem febre ou dor, mas o fígado já está sendo comprometido”, explica o infectologista Marcelo Cordeiro.
Os vírus causadores da hepatite se propagam de formas diferentes. Enquanto os tipos A e E estão relacionados a água e alimentos contaminados, os tipos B, C e D são transmitidos por meio de sangue contaminado, relações sexuais sem proteção e compartilhamento de objetos perfurocortantes, como seringas, agulhas ou alicates de unha.
Prevenção
A vacinação para os tipos A e B é uma das formas mais seguras de proteção. Além disso, o uso de preservativos, não compartilhar objetos pessoais e a correta esterilização de materiais em salões e clínicas são formas recomendadas para evitar a infecção C, D e E.
Os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis em 204 Unidades de Saúde de Manaus, possibilitando obter o resultado em 30 minutos, sem necessidade de encaminhamento médico.
A orientação para a periodicidade dos exames varia de acordo com cada paciente, segundo Cordeiro. Grupos mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, com infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ou que mantêm relações sexuais sem proteção, devem se testar com maior frequência: hepatite B a cada seis meses e hepatite C pelo menos uma vez por ano.
A vacina que previne a hepatite A está disponível em todas as unidades básicas com sala de vacina para crianças de 12 meses até 5 anos incompletos. Já o imunizante contra o tipo B pode ser administrado a todas as pessoas que não tenham sido vacinadas ou que não possuam comprovante de vacinação.
Tratamento
O tratamento depende do tipo da hepatite. Tipos como A e E, por exemplo, costumam ter evolução benigna, exigindo somente cuidados de suporte. Já as formas crônicas de hepatite B podem requerer antivirais, enquanto a hepatite C tem cura em mais de 95% dos casos, com medicamentos modernos e acessíveis pelo SUS
