Novas imagens de câmeras de segurança divulgadas nesta terça-feira (21) mostram o momento em que o 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, carrega a companheira, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, já sem vida, do elevador até o carro antes de levá-la ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte.
As gravações registram o militar saindo do elevador com a vítima nos ombros. Em seguida, ele coloca Michele no banco do veículo e deixa o local com a porta do carro ainda aberta.
Segundo informações da Polícia Militar, Michele deu entrada no hospital por volta das 21h, já sem sinais vitais. A equipe médica constatou ausência de batimentos cardíacos e identificou indícios de que a morte não teria sido recente, estimando que o óbito havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada à unidade de saúde. Diante da situação, a PM foi acionada.
Versão apresentada pelo sargento
De acordo com o boletim de ocorrência, o sargento afirmou que a esposa teria sofrido uma queda da escada da residência do casal, localizada no bairro Palmares, por volta do meio-dia, batendo a cabeça.
Segundo o relato dele, Michele recusou atendimento médico por estar constrangida devido ao consumo de drogas. O militar disse ainda que deu banho na companheira, a colocou para descansar e que ambos dormiram por volta das 15h. Ao acordar, às 21h, afirmou ter percebido que ela não respondia aos estímulos e decidiu levá-la ao hospital.
Lesões levantaram suspeitas
A versão apresentada pelo suspeito passou a ser questionada após os primeiros exames apontarem diversas lesões incompatíveis, em princípio, com um simples acidente doméstico.
Segundo o registro policial, Michele apresentava traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, lesões lineares compatíveis com chicoteamento e um grave ferimento na região frontal da cabeça.
O sargento afirmou aos investigadores que parte dos machucados seria resultado de práticas sexuais consensuais envolvendo dominação e agressões, alegando que esse comportamento era habitual entre o casal.
Drogas e objetos apreendidos
Além da investigação sobre a morte da capitã, o militar também foi preso por suspeita de posse e tráfico de drogas.
Ainda no hospital, um tenente flagrou o suspeito descartando uma pequena caixa metálica contendo comprimidos de ecstasy em uma lixeira. O sargento confirmou que ele e Michele haviam consumido a substância na noite anterior.
Durante a perícia no apartamento do casal, foram apreendidos um cabo de madeira quebrado, roupas de cama recém-lavadas encontradas na máquina de lavar e o Jeep Renegade prata utilizado para transportar a vítima até o hospital.
Familiares relataram histórico de abusos
Em depoimento à polícia, a mãe e a irmã da capitã afirmaram que Michele vivia um relacionamento marcado por violência psicológica, controle, humilhações e ameaças.
Segundo os relatos, houve episódios anteriores de agressividade, incluindo uma ocasião em que o sargento teria ameaçado a companheira com uma faca.
A mãe da vítima contou ainda que, no dia da morte, Michele atendeu uma ligação falando em voz baixa, informando que não poderia comparecer a um compromisso. Depois disso, não respondeu mais às mensagens enviadas pelos familiares.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais como feminicídio consumado. A audiência de custódia do sargento está prevista para esta quarta-feira (22), enquanto os laudos periciais deverão esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do crime.
Em nota, a defesa do militar afirmou que acompanha as investigações e defendeu que qualquer conclusão seja tomada apenas após a finalização dos laudos periciais e da apuração oficial dos fatos.
Fonte: G1