Uma testemunha da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, afirmou ter visto um funcionário da empresa responsável pela atividade de “rope jump” retirar uma câmera GoPro que estava presa ao corpo da jovem após o acidente ocorrido neste sábado (13), em Limeira, no interior de São Paulo.
A jovem morreu após ser lançada de uma ponte sem estar conectada à corda de segurança durante a realização do salto. Segundo as investigações, funcionários da empresa Entre Cordas não perceberam que a vítima ainda não havia sido presa ao equipamento essencial para a atividade.
Maria Eduarda chegou a receber atendimento de equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas não resistiu aos ferimentos provocados pela queda.
Testemunha relata retirada de câmera
Entre as pessoas que aguardavam para participar da atividade estava o coordenador pedagógico Rafael Goulart, que acompanhou toda a situação.
Em entrevista, Rafael afirmou que fazia parte de um grupo de aproximadamente 80 pessoas que havia reservado o salto com meses de antecedência. Segundo ele, o local era bastante procurado por praticantes da modalidade.
De acordo com o relato, após a queda da jovem, um dos funcionários teria se dirigido até o local onde ela estava e retirado a câmera que utilizava durante a atividade.
“A gente olhava lá para baixo, estava o corpo da menina que foi assassinada por eles. E eles preocupados em tirar a câmera do pescoço dela e da mão dela. Não sei se era para esconder provas ou porque o equipamento é caro. Independentemente de qualquer coisa, não tinha que mexer”, afirmou.
Queda ocorreu durante modalidade “aviãozinho”
Segundo Rafael, o acidente aconteceu de forma muito rápida. Maria Eduarda foi a primeira participante do dia a realizar o salto conhecido como “aviãozinho”, modalidade em que a pessoa é lançada sem precisar caminhar pela plataforma.
As pessoas que haviam saltado anteriormente participaram de outro formato da atividade.
“Ela foi a primeira a ir nesse modelo que chama aviãozinho. As duas pessoas que estavam na plataforma só tinham que levantar a menina. Quem precisava verificar a segurança era quem estava atrás”, relatou.
A testemunha afirmou ainda que já havia praticado o esporte com outras empresas e percebeu diferenças significativas nos protocolos adotados.
Segundo ele, em operações realizadas por equipes experientes, os participantes permanecem afastados da área de preparação e cada profissional possui uma função específica, incluindo o controle da corda de segurança.
Clientes acionaram socorro
Rafael também declarou que não presenciou nenhuma iniciativa imediata dos funcionários da empresa para acionar o resgate após o acidente.
De acordo com ele, o pedido de socorro teria sido feito por outras pessoas que aguardavam para realizar o salto.
Ainda segundo a testemunha, antes da chegada das equipes de emergência, a empresa teria desativado seu perfil em uma rede social e encerrado o grupo de mensagens utilizado para comunicação com os clientes inscritos na atividade.
Ele afirmou ainda que alguns funcionários tentaram deixar o local após o ocorrido, trocando de roupa e guardando equipamentos em veículos.
O impacto da queda provocou desespero entre os presentes, especialmente no noivo da vítima, que precisou ser amparado por outras pessoas.
“Ninguém ali sabia o que deveria ser feito. Estávamos confiando na equipe. Não foi falta de equipamento de segurança. O equipamento de segurança é o capacete. A corda é o essencial para realizar o salto”, destacou.
Prisões e investigação
Imagens gravadas por participantes registraram o momento em que Maria Eduarda foi lançada sem a corda de segurança.
Após a queda, pessoas que estavam no local iniciaram manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) até a chegada do SAMU. No entanto, a morte foi constatada ainda no local devido aos graves ferimentos causados pelo impacto.
Três funcionários da empresa foram presos em flagrante após o acidente.
Nesse domingo (14), a Justiça de São Paulo realizou a audiência de custódia e determinou a conversão das prisões em preventivas.
A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do caso, incluindo possíveis falhas nos protocolos de segurança e a conduta dos envolvidos após o acidente.
Fonte: O Globo