A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga três ex-técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento na morte de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Taguatinga.
As prisões ocorreram em janeiro deste ano, após indícios de que substâncias teriam sido aplicadas de forma intencional e irregular durante atendimentos médicos.
Os óbitos aconteceram entre novembro e dezembro de 2025, mas o caso só veio a público nesta semana.
O principal investigado é um técnico de enfermagem de 24 anos, que também cursava fisioterapia. Segundo a Polícia Civil, mesmo após ser desligado do Hospital Anchieta, ele continuou trabalhando em outra unidade de saúde, desta vez em uma UTI infantil.
As apurações indicam que ele se aproveitava de falhas no sistema eletrônico do hospital, que permanecia logado em nome de médicos, para realizar prescrições indevidas e ter acesso a medicamentos de uso restrito.
As outras duas investigadas são técnicas de enfermagem de 28 e 22 anos. Uma delas já havia atuado em outros hospitais, enquanto a mais jovem estava em seu primeiro emprego na área da saúde.

De acordo com a Polícia Civil, as duas teriam agido de forma conivente com o principal suspeito. Em pelo menos um dos casos, uma delas teria auxiliado na retirada do medicamento da farmácia do hospital e presenciado a aplicação da substância nas vítimas.
Segundo o delegado Wisllei Salomão, responsável pelo caso, os técnicos aplicaram um medicamento de uso comum em UTIs diretamente na veia dos pacientes, de maneira indevida, o que teria provocado paradas cardíacas.
Em um dos episódios mais graves apurados, o principal suspeito teria recorrido ao uso de desinfetante hospitalar após o fim do medicamento. O produto teria sido aspirado com uma seringa e injetado diversas vezes na paciente, conforme apontam as investigações.
As mortes ocorreram nos dias 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025. Entre as vítimas estão uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 e um homem de 33 anos.
O inquérito corre em segredo de Justiça, e os nomes das vítimas e dos investigados não foram divulgados. Os casos são tratados como homicídio, e a motivação ainda é apurada.
Em nota, o Hospital Anchieta informou que realizou uma investigação interna após identificar situações consideradas fora do padrão na UTI. O levantamento durou menos de 20 dias e resultou na demissão dos três profissionais, além do repasse integral das informações à Polícia Civil.
A instituição declarou ainda que é vítima da ação dos ex-funcionários, que presta solidariedade às famílias das vítimas e segue colaborando com as autoridades.
Com informações do G1