O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou na última quinta-feira (9) sua aposentadoria antecipada da Corte. Aos 67 anos, ele poderia permanecer no cargo até os 75, mas decidiu encerrar o ciclo antes do prazo.
“Deixo o tribunal com coração apertado. Não carrego comigo nenhuma tristeza, mágoa ou ressentimento”, afirmou Barroso em sua última sessão.
Com a saída, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá o direito de indicar um novo nome para o Supremo.
A decisão não tem prazo definido, o que significa que o tribunal funcionará com dez ministros até que o substituto seja escolhido e aprovado pelo Senado Federal.
Indicação presidencial e sabatina no Senado
Após a escolha feita por Lula, o nome indicado deverá passar por duas sabatinas no Senado: uma na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e outra no plenário.
Somente após essa etapa, o novo ministro poderá tomar posse no cargo vitalício do STF.
De acordo com o professor Arthur Wittenberg, do Ibmec Brasília, a aposentadoria antecipada de Barroso tem forte impacto político para o governo.
“Ao abrir mão de permanecer até a aposentadoria compulsória, Barroso permite que Lula faça sua terceira indicação em apenas dois anos de mandato, ampliando de forma substancial a influência do presidente sobre a composição da Corte”, explica.
Favoritos e bastidores da escolha
Entre os nomes mais cotados para a vaga, aparece o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, considerado o favorito no Palácio do Planalto.
Também estão na lista o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho.
Barroso, por sua vez, já expressou o desejo de que uma mulher ocupe sua cadeira. Nesse cenário, ganha força o nome da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Daniela Teixeira, que seria a segunda mulher na atual composição do Supremo — atualmente, apenas Cármen Lúcia representa o público feminino na Corte.
O professor Rubens Beçak, da USP, avalia que Lula pode ceder à pressão por representatividade de gênero.
“É possível que o presidente atenda a esse clamor e indique uma ministra, mesmo que o nome não esteja entre os mais cotados”, afirmou.
Perfil das indicações anteriores de Lula
A nova escolha de Lula será analisada sob o mesmo padrão observado em suas indicações anteriores ao STF — Cristiano Zanin e Flávio Dino.
Segundo Wittenberg, o presidente busca nomes que unam confiança política e credibilidade jurídica.
“Eles representam equilíbrios entre lealdade, experiência técnica, peso institucional e confiança política. Lula tende a escolher alguém que transmita segurança ao governo e mantenha prestígio junto à comunidade jurídica”, diz o especialista.
Wittenberg lembra ainda que tanto Zanin quanto Dino têm perfil garantista — voltado à defesa de direitos fundamentais e contrários a excessos punitivos, o que também pode influenciar o novo nome.
Para Beçak, a tendência é que Lula indique alguém alinhado ao governo, que vote em pautas estratégicas do Executivo sem abrir mão da autonomia jurídica.
O novo ministro herdará 895 processos sob relatoria de Barroso, incluindo investigações contra o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-ministro Geddel Vieira Lima.
Além disso, o futuro integrante do Supremo passará a integrar a Segunda Turma do STF, ao lado de Edson Fachin, André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Nunes Marques.
A definição sobre o sucessor deve movimentar os bastidores do Planalto e do Congresso nas próximas semanas, com a expectativa de um nome que reflita o equilíbrio entre técnica, confiança e representatividade no tribunal mais importante do país.
Fonte: G1