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Presos por foguetório no AM estão soltos, diz secretário de segurança

Na operação, foram apreendidas mais de mil caixas de fogos de artifício, motocicletas, drogas, bandeiras e câmeras de monitoramento utilizadas pela facção criminosa

As 55 pessoas detidas, por envolvimento em atos de apologia ao crime, após a participação em foguetório organizado pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), no Amazonas, foram soltas na manhã desta terça-feira (11/02). A informação é do secretário de segurança do Amazonas, coronel Vinícius Almeida.

Após o foguetório, as Polícias Civil e Militar do Amazonas deflagraram, entre a noite de segunda-feira (10/02) e a madrugada de hoje, uma operação que resultou na prisão de 55 pessoas e na apreensão de quatro adolescentes na capital e em municípios do interior do Estado.

Em coletiva de imprensa, o secretário lamentou a soltura rápida dos suspeitos, atribuindo o fato à legislação vigente.

“É frustrante chegar com essas prisões na delegacia, sendo 100 no ano passado e 55 este ano, e todos saírem pela porta da frente porque a legislação permite. É uma legislação frouxa e permissiva. Entregamos para a Justiça, mas eles saem. Essas atividades criminosas, como queima de fogos em relação à facção, são uma afronta do crime contra o povo brasileiro. Essa conta não é apenas do sistema de segurança, mas de todo o país”, declarou o coronel.

Vinícius Almeida afirmou que a responsabilidade pela liberação dos presos não é do Judiciário, mas da legislação atual.

“Os juízes apenas cumprem o que está determinado em lei, então a culpa é da legislação, que precisa ser mudada. Nós, policiais, também só cumprimos o que nos cabe em lei. Prendemos e entregamos à Justiça, mas depois, infelizmente, em muitos casos, os criminosos são soltos, como estão sendo agora, após nossa exitosa operação contra essa facção criminosa”, disse.

O gestor também destacou a necessidade de políticas públicas mais eficazes contra o crime organizado, especialmente em um estado que faz fronteira com os dois maiores produtores de drogas do mundo. “A grande pergunta é: Manaus vai chegar a ser como o Rio de Janeiro?”, questionou.

Apreensões
Durante a operação, mais de mil caixas de fogos de artifício foram apreendidas, além de motocicletas utilizadas na ação criminosa, bandeiras que indicavam ligação com o Comando Vermelho, um quilo de skunk, câmeras de monitoramento remoto e balanças de precisão.

As prisões e apreensões ocorreram em diferentes zonas da capital e nos municípios de Iranduba e Manacapuru (a 27 e 68 quilômetros de Manaus, respectivamente). A queima de fogos foi registrada em vários bairros, como Santo Antônio, Betânia, Compensa, Japiim, São Jorge, Centro, Petrópolis, Jorge Teixeira e Santa Etelvina.

Na coletiva de imprensa, o secretário também fez um apelo para que a população cobre mudanças na legislação para fortalecer o combate ao crime organizado.

“Temos que cobrar dos parlamentares que alterem a legislação. Fazemos fronteira com os dois maiores produtores de drogas do mundo. Apesar de termos feito a maior apreensão da história no ano passado, não conseguimos proteger 100% o estado do tráfico. Essa responsabilidade deveria ser do Governo Federal, mas acaba recaindo sobre nós”, declarou.

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