Sueli de Azevedo dos Santos, de 19 anos, e Rodolfo Carlos Cavalcante Júnior, de 23, foram colocados em liberdade nessa quinta-feira (13), após passarem por audiência de custódia no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus. O casal havia sido preso em flagrante depois do incêndio que matou os dois filhos, Rodolfo dos Santos Cavalcante Neto, de apenas 10 meses, e Antony dos Santos Cavalcante, de 3 anos.
A tragédia ocorreu na manhã de quarta-feira (12), no bairro Parque São Pedro, na Zona Oeste da capital amazonense. Conforme as informações apresentadas sobre o caso, os pais teriam deixado as crianças sozinhas no imóvel por alguns minutos para comprar pão quando o fogo começou.
A origem das chamas, no entanto, ainda não foi determinada e depende da conclusão da perícia.
Na audiência de custódia dessa quinta-feira, o Poder Judiciário analisou as circunstâncias e a legalidade das prisões, além da necessidade de manter Sueli e Rodolfo presos preventivamente. Ao fim do procedimento, foi determinada a liberdade do casal, que continuará respondendo ao processo.
A investigação apura as circunstâncias em que as crianças ficaram sozinhas e as responsabilidades relacionadas ao episódio. Entre as questões analisadas pelas autoridades está a eventual configuração de abandono de incapaz. Qualquer responsabilização criminal definitiva, entretanto, dependerá das provas reunidas durante a investigação e do andamento do processo.
Pais não acompanharam sepultamento dos filhos
Enquanto permaneciam sob custódia e eram submetidos aos procedimentos decorrentes da prisão, Sueli e Rodolfo enfrentaram outro momento dramático: o sepultamento dos dois filhos.
Os pais não puderam acompanhar a despedida das crianças, situação que ampliou a comoção entre familiares e pessoas que acompanham o caso.
Rodolfo, de 10 meses, e Antony, de 3 anos, morreram no interior do imóvel atingido pelo incêndio. A tragédia mobilizou moradores da região e familiares, que tentaram socorrer os irmãos.
Avô tentou entrar várias vezes no imóvel em chamas
Um dos relatos mais emocionantes após a tragédia foi o do avô das crianças, Carlos Cavalcante. Com queimaduras nas mãos e ferimentos provocados durante as tentativas de resgate, ele afirmou ter entrado repetidas vezes no imóvel para tentar alcançar os netos.
“Eu entrei dez vezes naquele incêndio, arrisquei minha vida, peguei choque, inalei muita fumaça, mas não consegui salvar eles”, relatou.
Carlos contou que chegou ao local após receber uma ligação do filho avisando sobre o incêndio. Mesmo diante das chamas e da fumaça intensa, tentou entrar na residência várias vezes.
O avô afirmou que faria tudo novamente pelos netos.
“Faria de novo. Entrava de novo pelos meus netos, nem se fosse possível perder a vida”, declarou.
Durante o velório, Carlos disse que os ferimentos físicos eram menores diante da dor de não ter conseguido retirar as duas crianças da residência.
“O que me machuca mais é que eu não consegui salvar meus netos”, lamentou.
Perícia deverá apontar causa do incêndio
A investigação agora deverá esclarecer como o incêndio começou e reconstruir as circunstâncias que antecederam a morte dos irmãos.
O resultado da perícia será fundamental para determinar a origem das chamas e contribuir para a definição das eventuais responsabilidades no caso.
Com a decisão tomada na audiência de custódia, Sueli de Azevedo dos Santos e Rodolfo Carlos Cavalcante Júnior deixam a prisão e passam a acompanhar em liberdade o andamento do processo.
Fonte: G1