Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na tarde de quarta-feira (22) interrompeu a atuação de duas mulheres suspeitas de exercer ilegalmente a medicina em clínicas de estética localizadas nos bairros Adrianópolis, na zona centro-sul, e São José, na zona leste de Manaus. As investigadas se apresentavam como médicas e realizavam procedimentos de ninfoplastia, uma cirurgia íntima que exige habilitação específica.
No momento em que os policiais chegaram à clínica do bairro Adrianópolis, uma das operações estava prestes a ser realizada. A paciente, que aguardava o procedimento, informou aos investigadores que acreditava estar sendo atendida por uma médica e disse não saber que a responsável não tinha formação em Medicina. A cirurgia foi imediatamente interrompida para preservar a saúde da mulher.
A outra unidade, localizada na zona Leste, recebeu peritos e investigadores para a coleta de materiais que possam auxiliar nas investigações. Foram apreendidos computadores, aparelhos celulares, documentos, medicamentos, anestésicos e outros materiais que passarão por análise e integrarão o conjunto probatório do caso.
De acordo com a Polícia Civil, uma das suspeitas é cirurgiã-dentista e a outra, biomédica — nenhuma delas possui formação em Medicina. A ninfoplastia, procedimento que consiste na redução ou correção dos pequenos lábios da região íntima feminina, é uma intervenção cirúrgica cuja execução é permitida apenas a médicos habilitados.
As investigações tiveram início após uma vítima registrar denúncia por lesão corporal decorrente de um procedimento realizado por uma das suspeitas. Os laudos periciais constataram que as operações eram feitas com bisturi a laser e eletrocautério, equipamentos de uso restrito a profissionais legalmente habilitados. Segundo a polícia, a realização do procedimento por pessoas não qualificadas representa grave risco à saúde das pacientes, podendo provocar infecções, hemorragias e perda de sensibilidade.
As duas mulheres foram conduzidas ao 4º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A Polícia Civil destacou que, além do exercício ilegal da medicina, outros possíveis crimes relacionados à atuação das clínicas estão sendo investigados. A extensão do esquema ainda está sendo apurada e novas informações deverão ser divulgadas nos próximos dias.
Fonte: PC-AM